terça-feira, 15 de Abril de 2014

O dia em que me apeteceu dar cabo do meu irmão.


Foi no dia 31 de Março. Sim, foi há pouco tempo.

Eu não tenho carro. Ou melhor, eu tenho um carro para andar, mas todas as questões burocráticas, e que envolvem pagamentos, oficinas ou algo do género, não me dizem respeito. Uma espécie de "delegar responsabilidades". Pois que eu jamais teria de me enfiar nas finanças para pagar o Imposto Único de Circulação, porque eu não pago isso no meu carro. Mas eu tive de ir às finanças, no último dia do mês (acho que toda a gente deixa tudo para o último dia) para o selo do carro dele, sim, do meu irmão. O meu irmão é aquele ser que ainda não acabou de tirar a carta e já tem o carro. Uma oportunidade que não podia perder e blá, blá, blá.

Mas porquê a vontade de matar dar cabo daquela ave rara? 
No dia 31 de Março estava a chover, mas a chover imenso. Lugares para estacionar perto das finanças, zero, nem em segunda fila dava. Fui estacionar longe, não tinha guarda-chuva, apanhei uma valente molha até lá. Tirei a senha e esperei. Esperei mais de uma hora. Não havia sistema de cobranças, pelo que não se podiam fazer pagamentos. Tinham tido problemas o dia todo e as pessoas acumulavam-se por lá. Esperei e desesperei. E quando, por fim, chegou a minha vez, a senhora diz-me:


- "Mas, oh menina, isto é só para pagar em Julho!"

Sim, em JULHO!

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

A minha sobrinha mais velha:



Ora me pede um telemóvel novo;
Ora me pede que a leve ao Alive ver Imagine Dragons.
Basicamente, ela pede. Tudo a mim, sempre.



Meu amor, 

Esta tua tia, que aqui escreve, é pobre como tudo. Ela também precisava de um telemóvel novo, devias ter lido este post aqui e percebias. A vida não está para telemóveis novos e, se o dela, tadinho dele, já leva mais de três anos, o teu ainda nem tem um. Sendo assim, e numa lógica de idade, o dela reformar-se-ia primeiro. 
Por outro lado, vê-se mesmo que não lês aqui o blogue, se lesses também terias visto este post aqui e saberias que Imagine Dragons é uma das bandas que a tua tia quer ir ver, mas o preço do bilhete, mais viagens, alimentação e coisas desse género, são questões que não podem ser esquecidas e "querer" não basta. A ver se nos entendemos, boneca mais linda da sua tia, tu ainda só tens 14 anos (sim, quase 15, mas não deixam de ser 14), tens tempo para andar nessas andanças dos festivais. 

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Definição [a propósito do dia dos irmãos]:


Irmão: aquele ser em quem podemos sempre pôr as culpas.

[eu tenho uma irmã mais velha e um irmão mais novo, por isso falo com conhecimento de causa]


domingo, 6 de Abril de 2014

A minha vida é uma animação [not]


Enquanto toda a gente aproveitou o fim-de-semana e foi passear, namorar, correr, almoçar ou jantar fora, sair com os amigos ou com a família eu estive de cama. Dores, de garganta e ouvidos, febre e aquela sensação de ter sido atropelada por um autocarro... Tudo de bom, portanto! E a semana não se avizinha muito melhor...



[Volta e meia a minha mãe traz-me um chá, o meu sobrinho trouxe-me uma flor que apanhou na rua... Isto sou eu a tentar ver o lado positivo da coisa...]

quinta-feira, 3 de Abril de 2014

A/C de Isabel Jonet - presidente do Banco Alimentar Contra a Fome


“O pior inimigo dos desempregados são as redes sociais”, afirmou a presidente do Banco Alimentar em entrevista à Renascença. Para Jonet, o problema surge quando “as pessoas ficam desempregadas e ficam dias e dias inteiros agarradas ao Facebook, ou agarradas a jogos, agarradas a amigos que não existem e vivem uma vida que é uma total ilusão”.
Neste caso, a responsável defende que o voluntariado, mesmo não sendo uma solução para quem não tem trabalho, pode ajudar os desempregados a manterem-se activos, o que pode gerar mais possibilidades de encontrar um novo emprego.


Cara Isabel,


Eu não sou pessoa de alimentar discussões, polémicas e coisas que tais, nem de me melindrar com a opinião alheia. Cada um com a sua e amigos na mesma. Mas há afirmações que nos tocam na ferida. E esta sua declaração foi uma delas. 
Sabe, estou desempregada e pasme-se, não há um único dia que não procure trabalho, que não envie um currículo e que não me desiluda mais um bocadinho com a falta de respostas. E é por isso que eu, desempregada, não consigo admitir que a senhora venha mandar postas de pescada sobre uma realidade que desconhece. 
Sabe, não sabe mas vou-lhe dizer, desde que estou desempregada fui a duas entrevistas: uma, na minha cidade (Castelo Branco), que prometia mundos e fundos, mas que não passava de uma grande exploração, trabalhar de segunda a sábado, das 9h às 19h, num sistema que eles chamavam de face-to-face, mas que não era mais do que andar de porta em porta, o dia todo, a impingir serviços de uma determinada rede de telecomunicações às pessoas, e deste "trabalho" auferia-se apenas as comissões pelas vendas; a outra, ontem em Viseu (189km de distância, A23 e A25 com portagens), neste as comissões eram razoáveis (e também era só isso que se auferia - comissões), mas o trabalho era a recibos verdes, implicava que me desloca-se todas as semanas a Viseu (às minhas custas), um período de experiência formação de três meses em que, no final, se não atingisse os objectivos, não só não recebia nada, como ainda tinha que pagar o material que me tinha sido dado para trabalhar.
Sabe, eu também estudei e é com tristeza que constato que a educação e a formação significa tão pouco neste nosso país que vê partir, todos os dias, uma geração que investiu em sonhos que só podem ver concretizados lá fora. É com desânimo que envio currículos e currículos, onde muitas vezes não consta nem a licenciatura, nem o mestrado, porque eu já ouvi: "tem habilitações a mais", numa entrevista para empregada de uma loja de acessórios. É com custo, financeiro, que envio candidaturas para concursos públicos (que têm de ser enviadas em carta registada e com aviso de recepção) e que, até hoje, não tiveram qualquer resposta positiva.
Talvez eu até passe demasiado tempo no facebook, talvez, mas o que é demasiado tempo quando não se tem nada para fazer? De que me vale pensar, como a grande maioria, "nunca mais é sexta-feira" ou dizer em tom de lamento "amanhã já é segunda-feira", quando para mim a segunda é igual à sexta? 
A senhora não sabe a frustração, o desânimo, o desalento que uma pessoa desempregada sente. Eu não recebo qualquer subsídio de desemprego, nunca recebi. Eu não vivo, nem sobrevivo com subsídios. Eu vivo e sobrevivo, com o meu dinheiro, o que juntei, o que guardei e muito com a ajuda dos meus pais.
Mas sabe o que é pior Isabel, o pior é que chegamos a uma idade em que queremos mais que a ajuda dos pais, queremos manter-nos por nós próprios, queremos o nosso espaço, a nossa vida, podemos até sonhar casar ou ter filhos ou gastar o dinheiro em viagens ou sapatos. Queremos a vida que nos é devida. Queremos a oportunidade. Pelo menos eu quero, é só isso que quero, é só isso que peço - a Oportunidade. E é isso que falta no nosso país, oportunidades.
Mas agora sei, que o problema não é das entidades empregadoras, não é a crise económica que o país atravessa, o problema é meu. Sendo mea culpa, posso pô-la em quem eu quiser, right? Facebook (pessoal e a página do blogue), Blogue, Instagram (quem me manda a mim ter 2?) e CandyCrush, fomos felizes juntos, mas a culpa não é minha, é vossa. Vossa e dos amigos imaginários que tornam a minha vida uma completa (des)ilusão.



Atenciosamente

Sofia

terça-feira, 1 de Abril de 2014

Pai vs Mãe


Amanhã vou a Viseu.

Preocupações do meu pai:
- "Já vi a água e óleo do carro. Já te atestei o depósito. Já carregaste a bateria do GPS? Ah, precisas de dinheiro?"


Preocupações da minha mãe:
- "Estive a ver as notícias e vais apanhar mau tempo, muita chuva, muito vento e gelo na estrada. Tens de ir devagar, eu bem vi as notícias hoje, só falavam em acidentes nas estradas. Ah, e viste aquelas notícias das quedas de árvores? Tem cuidado, vê lá onde é que estacionas."

Da amizade...


Juntem um grupo de amigos num bar. Daqueles amigos que, mesmo sem se verem frequentemente, parece que se viram ontem. A galhofa é certa, as gargalhadas também, as conversas fluem naturalmente e os assuntos mudam à velocidade da luz. A esse grupo de amigos juntem as cervejas, minis, médias, imperiais e o gin ( que estava em promoção naquele bar, nesse fim-de-semana). Aos amigos, à conversa e à bebida junta-se a música ao vivo e as pipocas (em vez de tremoços ou amendoins).

E o que é que surge disto tudo?
Teorias parvas, como a do post anterior... Dizem eles - os outros - que elas têm mau dormir e ouviram-se coisas como "como é que coisaas tão pequenas ocupam tanto espaço e causam tanto estorvo?"; elas defenderam-se como puderam (ou conseguiram) e ameaçaram deixá-los a dormir sozinhos, mas - como sempre - não se chegou a conclusão nenhuma.